sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Eliseu

Hoje lembrei-me do momento da minha vida, o único, em que me senti o ser mais inteligente do mundo. Encontrei o Professor Eliseu. Foi à frente do Pingo Doce, não que ele tivesse ido ás compras, e eu também não, calhou. Houve o comprimento, o reparar na muleta (para quem não sabe porque ando de muletas, faz favor de ler o primeiro post), e a pergunta, a puta da pergunta, foda-se eu sonho com esta merda, as pessoas em fila Indiana a cumprimentarem-me e a perguntar: "Então, o que é que te aconteceu?", e a fila do lado, aquelas que já sabem o que me aconteceu a perguntar: "Então, estás melhor?", epá há pessoas que perguntam isto todos os dias, quando não calha nos cruzarmos duas vezes no mesmo dia. Eu já não sei o que responder. "Sim, estou melhor, obrigado.", ou "Estou a melhorar, isto agora vai com o tempo, devagarinho", ou até "Está melhor, agora só daqui a um mês é que estou bom.", na esperança de pararem de perguntar por algum tempo.
O momento que referi leva-me ao tempo de aluno do 11º ano na escola Machado de Castro... os tempos de aluno da escola Machado de Castro. Bom, estava eu e o resto da turma na aula de Física, a ser leccionados pelo professor Eliseu, ora bem, o professor Eliseu é a pessoa mais culta e inteligente que conheci até hoje, o homem sabe tudo. Literalmente. Para além de saber tudo sobre Física, sabia tudo sobre matemática, português, biologia, educação física, tachos, politica, panelas, todo e qualquer tipo de desporto, história, música, cinema, filosofia... até fazia confusão. Um belo dia, estava o professor Eliseu a leccionar, quando se enganou num exercício, claro está, ninguém estava a contar com isso, portanto ninguém reparou, ninguém exepto o Manuel. Fiquei a olhar para o quadro com muita atenção, podia estar a ver mal, mas não, tinha a certeza que o Eliseu se tinha enganado. Era agora ou nunca, VOU CORRIGIR O PROFESSOR ELISEU.
"Professor", chamei muito hesitante.
"Sim Manuel, diz."
Hesitei novamente.
"Acho que se enganou..."
Neste momento tudo se calou, e todos dirigiram as córneas na minha direcção. Desejei nunca ter aberto a boca. Ia ser humilhado... mas quem se risse ia levar umas cabeçadas lá fora, porque eu não sou nenhum menino, eu sou fodido.
"O passo final do exercício 7.2 está mal, acho que os 23.7 quando passaram para o outro lado, deviam ir para o denominador."
...
"Oh Manuel" disse ele na direcção do quadro. Aqui já estava convencido que me tinha enganado e que afinal não ia bater em ninguém, porque os que se estavam a rir eram os maiores que eu. Porra!!
"Tens toda a razão!!"
...
Senti-me grande, enorme, naquele momento eu respondia a qualquer pergunta. Força bandalhos, perguntem qualquer coisa vá! Eu respondo correctamente! Eu sou aquele que corrige o Eliseu!!! Ah ah ahaaha!!!
Esta sensação durou 5 minutos.
O Professor Eliseu mandou-me ao quadro fazer o exercício 9...

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