Aqui á dias fui à feira. Digo fui "à feira" porque sei que não é necessário especificar a qual feira, são todas iguais, embora geograficamente diferentes, portanto não faz sentido dizer que fui "à feira de Azeitão" ou "à feira de Coina", e aprendi. Aprendi de maneira prática e directa, não à cá explicações metafóricas, eufémicas ou egocêntricas como se vê na maioria dos professores no ensino escolar e universitário. Os ciganos são muito melhores. Vou tentar explicar esta afirmação, que parece muito parva para alguns, racistas! Confesso que nem ia com o espírito para aprender fosse o que fosse quando me encaminhava para a feira, feitios. De começo nem me apercebi, devo ter entrado por um lado cuja a raça caucasiana se encontrava em maioria, mas à medida em que me entranhava para o meio da feira, os subúrbios, apercebi-me que todo um sistema de ensino em Portugal deveria ser alterado, tudo bem, toda gente sabe isso, mas a solução, a solução são os ciganos, a raça cigana, os lelos! A diferença é que na parte dos brancos, para venderem o seu produto, faziam a propaganda de forma capitalista, só interessa o lucro, "dois pares de meias, um euro", "a calça da Leves, quinze euros", "olhó sapato por cinco euros", na parte dos ciganos coisa é diferente, a vontade de vender está lá, mas não de maneira tão egoísta como a dos brancos, há preocupação para que o cliente não seja enganado, há uma explicação em relação ao preço que está a ser atribuído a determinado produto, há berros, também há berros, muitos, mas é porque eles sabem que nem toda a gente é perfeita, então e os surdos? Não têm direito a explicações? Mas quais explicações caramba?? Reparem então na diferença. Enquanto que um branco diz "dois pares de meias, um euro" o cigano diz "dois pares de meias, um éró, olhe que é um éró, dona" a educação, o repetir o preço para o caso de não ter percebido à primeira, isto é declaradamente a preocupação em cuecas. Enquanto que um branco diz "a calça da Leves, quinze euros" o cigano diz "Olhá calça da Levis a quinze euros, não são vinte nem vinte e cinco, são quinze". Enquanto que um branco diz "olhó sapato por cinco euros" a cigana diz "Qual é o seu número, menina" reparem, ainda antes da "menina" de 70 anos, simpática pá, ter intenção de comprar o sapato, a cigana já se preocupa em vender o número certo, ainda antes de ter visto o dinheiro caraças!! "Eu calço o 38", "o 38?! Tenho aqui um sapato tão bonito", e era mesmo bonito o raio do sapato, eu vi, a senhora experimentou o sapato, assentava-lhe que nem uma luva... um sorriso, ficou radiante, de repente a expressão "menina" ganhou todo um sentido, mas a cigana não se ficou por aqui, até na hora de pagar fez questão que a "menina" fosse embora sem qualquer tipo de dúvida, "são 5 érós "menina", uma nota só" aqui podia haver burla, hesitei quanto à seriedade da cigana, "uma nota só", a "menina" podia não ter ouvido a primeira parte e só ter ouvido a segunda, foi o que aconteceu, a "menina" sacou de uma nota de 10 euros e deu à cigana, pensei que iria ser o fim, mas não, a cigana mais uma vez fez questão de me dar um soco na barriga... "dez érós, cinco e cinco, dez, tem aqui cinco érós de troco, obrigadinha", a cigana ao perceber que a "menina" podia ter entendido mal o preço, fez questão de lhe dizer o valor da nota que lhe deu, e... matemática, "cinco e cinco, dez"... "cinco érós de troco", momento mágico.
Quando fui embora fiquei com o sentimento de culpa, podia muito bem ter ido à praia, até porque estava um bonito dia de sol.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

2 comentários:
Gostei muito do seu artigo....muito interessante....principalmente a última frase do "sentimento de culpa". Ficou algo bem poético.
Ana, desde já os meus parabéns, não por ser a primeira a deixar um comentário neste blog, mas por ter a coragem de continuar em frente depois de ler a primeira frase. Muito obrigado e seja sempre bem vinda.
Enviar um comentário